Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

(publicado no Diário de Aveiro)

 

Por mais voltas que desse ao saco do Expresso, não O encontrava. Procurei no meio do jornal do golfe, no imobiliário, entre os folhetos da Moviflor, por de trás da catalogo da Fnac, e nada. Ele não estava lá!

Pensei com os meus botões: “é bem feito, quem é que te manda comprar o jornal num local diferente!”.

Aprendida a lição, na semana seguinte voltei ao local do costume e por 5.45€ comprei, como sempre, os semanários.

Voltei a procurá-lo sem sucesso. Desta vez resolvi culpar o Balsemão. Devia ter certamente “ruído a corda” e deixado de distribuir a imprensa regional.

O que é certo é que nunca mais o vi.

Quando li que o semanário “O Aveiro” tinha acabado é que caí na real. Fiquei com muita pena, e decidi falar nesse assunto neste jornal que para bem da comunidade está (bem) vivo.

A morte de um jornal é quase sempre um facto triste. Mesmo para a concorrência, a falta de concorrentes significa a ausência de termos de comparação, de mais incentivos para procurar ser cada vez melhor. A possibilidade de se poder exercer o contraditório faz falta a toda a gente.

Senti-me culpado por não ter integrado a rotina de comprar mais esse jornal todas as semanas como se fosse um auto imposto regional a favor da pluralidade da imprensa.

Não quero analisar a sua qualidade, mas tenho seríssimas dúvidas que o seu fim pudesse ter origem nesse ponto. Será que é Aveiro que não tem dimensão para ter um semanário, ou exactamente por ser semanário, as notícias não têm que ser tão frescas e atractivas como “fulana foi violada por um ancião”, ou qualquer outro tipo de notícia cujo o prazo de validade se esgota no segundo em que é lida. O espaço de reflexão não é exclusivo dos semanários, (basta olhar com atenção para este jornal para poder constatar isso), mas esse tipo de jornais tem o seu espaço natural.

Existem em Portugal situações onde são os poderes públicos a chamar a si a responsabilidade da publicação de jornais, reconhecendo o seu valor informativo e cultural. A grande maioria dos municípios publicam jornais (na Madeira até há um diário… mas suspeito que não é um bom exemplo para esta conversa), que poderiam constituir esse espaço, mas rapidamente se transformam em meros boletins informativas da gestão autárquica. Em abono da verdade é preciso dizer que a Câmara de Aveiro quando decidiu lançar a revista  “Pontes e vírgulas” procurou dar um contributo positivo nesta área.

Porque acabou essa experiência? Falta de qualidade? falta de leitores? falta de dinheiro? ou simplesmente o jornalzinho municipal tipo é politicamente mais eficaz?

O que é verdade é que este espaço, o do semanário está outra vez vazio, o que, numa visão positiva da vida que cada vez é mais necessária ter, talvez seja um espaço de oportunidade.

Para mim Aveiro sem “O Aveiro” ficou mais pobre”.

 

 

 O Alfredo atirou o jornal ao chão, irritadíssimo, e virou-se para mim:

- Estes jornalistas! Passam a vida a inventar coisas, é o que te digo. Então não afirmam que, no Sardoal, foi encontrado um frango com três pernas! Vê lá tu! É preciso ter descaramento.

Ajeitou-se melhor no sofá e, realmente indignado, coçou a tromba com a pata do meio.”

 

EXAGEROS

Mário Henrique Leiria



publicado por amigosdavenida às 18:30 | link do post | comentar | favorito

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