Domingo, 21 de Junho de 2009
notícia Público Local
"É inspirado no famoso Portobello e é o novo mercado da Baixa do Porto. A partir de agora, nas tardes de todos os sábados, podem-se descobrir aqui, na Praça de Carlos Alberto, artigos assumidamente vintage. Espalhados pela praça, os comerciantes da Porto Belo ainda se tentam ambientar com alguma timidez. Na mesa de José de Almeida encontramos edições de O Século Ilustrado, máquinas fotográficas dos anos 30 e telefones que raramente se vêem. José é reformado e participou por curiosidade e pelo convívio. "Não sou um coleccionista, gosto é de comprar e vender", esclarece. Há um cheirinho a S. João, com sardinhas e manjericos, anunciando a festa popular que se avizinha.
Inês e Gustavo Magalhães já percorreram meio mundo: Tunísia, Tailândia, China, América Latina e Nova Zelândia. Mas foi mesmo Londres, especialmente o sítio onde viviam - Portobello Road -, que os fez voltar a Portugal e tentar recriar a atmosfera daquele que é um dos mais carismáticos mercados de rua. Inês, vitrinista e designer de moda, explica que sentiram falta de algo do género no Porto e que "há muitas lojas escondidas na cidade, com coisas antigas maravilhosas, mas que não existia um mercado assim, oficial e à tarde". "Queríamos", prossegue, "dar alma ao centro da cidade, que está cada vez melhor". Carlos Alberto é um local especial no percurso entre os Clérigos e Miguel Bombarda, mas "é também uma praça lindíssima, que foi reabilitada há pouco tempo e que merecia, de facto, esta vida", justifica Inês.
Maria da Glória e Célia Lopes, mãe e filha, já são habitués nestas coisas. Viajam para cidades como Londres e Amesterdão e para Célia as feiras são uma "terapia", "um bicho que vicia". Maria Fernanda Vieira, da Livraria Vieira, tomou conhecimento da criação do mercado pelos jornais e foi a tempo de participar: "O que mais adoro", reconhece, "é mesmo fazer feiras." De baixo de um calor abrasador, o horário foi mesmo o mais discutido. Há quem prefira a manhã, a tarde ou à noite. O que importa é que para a semana há mais. À tarde!"