(Artigo de opinião de Carlos Naia, publicado no Diário de Aveiro)
IMPLOSÃO DO NOVO ESTÁDIO DE AVEIRO ? - “OS DEUSES DEVEM ANDAR LOUCOS” …
'Há cinco anos tudo eram rosas e cores garridas. Para servir o Euro
Com a Câmara a herdar um fardo pesadíssimo, ficando muito endividada com os custos da obra e o pagamento de juros astronómicos à banca, em consequência dos empréstimos contraídos, muitos dos beira-marenses e não só defendem que a construção redundou também em prejuízos de monta para o clube com um significativo afastamento de espectadores amantes do velho «Mário Duarte» .
Tudo bem, ou melhor, mal. O novo Estádio Municipal, com as cores exteriores cada vez mais esbatidas pelo sol e salinidade e as cadeiras interiores com inexpressiva utilização, resultado em larga medida, também, da queda (prolongada) do Beira Mar na Liga de Honra, continua a haver um mar de problemas e contestação à mistura. Poucos serão os que «morrem de amores», não pela obra em si mas, essencialmente, pelo seu afastamento do centro citadino.
Se o estádio continua a acumular prejuízos mês após mês, é inquestionável. Todavia, não basta apontar apenas as causas, mas acima de tudo, tentar encontrar saídas que possam eventualmente trazer melhorias palpáveis e que passam, nomeadamente, pela sua rentabilização das mais variadas formas e feitios. Como a realização de espectáculos e outros eventos que levem gente ao estádio e façam entrar alguns euros nos cofres camarários em vez de crónicos prejuízos.
A verdade é que, até hoje, e ao contrário do que acontece noutros estádios do país, não houve um único evento extra-desportivo no estádio e, quanto ao conjunto de infraestruturas complementares de que tanto se propalou na altura da sua inauguração e já depois disso, para a desejável e imprescindível dinamização e rentabilidade, até agora nem uma só luz se vê ao fundo do túnel.
Obviamente que, assim, não se vai a lado nenhum. O que não estávamos à espera, porém , e certamente a esmagadora maioria dos aveirenses é que um dirigente político social democrata e recentemente eleito, por Aveiro, deputado à Assembleia da República (Ulisses Pereira) , viesse admitir, esta semana, no programa desportivo «Bola Branca», da Rádio Renascença e num quadro de “hipóteses a ponderar” uma - imagine-se, meus senhores - ! , … “IMPLOSÃO” do Estádio Municipal ou, menos gravosamente, a sua substituição, - se a malfadada situação do défice financeiro subsistir eternamente. Mas substituir o quê, porquê e de que forma ?
Mais do que falar desabridamente de “implosões” mesmo, porventura, num contexto de alguma ironia sem jeito nem graça, já agora, e mais seriamente, seria bom que aproveitasse a oportunidade para dissecar sobre a real dimensão do trabalho e eficácia de uma empresa criada e bem paga pela Câmara para gerir a dinamização e rentabilização daquela infraestrutura desportiva e, até hoje e ao que se saiba, pouco terá feito de importante.
Se é inquestionável que a autarquia não poderá protelar indefinidamente o défice mensal de 50 mil euros com o estádio utilizado exclusivamente pelo Beira Mar, a terapêutica para tal maleita não deverá começar exactamente por aí, ou seja, pela reavalição do trabalho produzido, eficácia das acções, competências e encargos vultosos com a manutenção da EMA (Empresa Municipal de Aveiro) ? Não residirá aí uma grossa fatia das razões justificativas do défice acumulado que onera os cofres do município ?
Insistindo um pouco mais, seria de todo em todo benéfico que o executivo do reeleito presidente Élio Maia informasse, logo que possível, os aveirenses, em que pé está o previsto conjunto de infraestruturas periféricas ao Estádio Municipal de Aveiro Mário Duarte ? É que já lá vão meia dúzia de anos desde o “pontapé de saída” e não há meio de o “povo gritar vitória”. Nem uma só obra foi erguida e assim continuar, não há gestão que resista e obra que não venha abaixo, mesmo sem métodos “implosivos” . Bastará uma “nortada” por certo …
Diga-se aos aveirenses quanto custou até agora a existência da EMA, quanto se despendeu em ordenados chorudos a gestores que por lá têm passado e qual a real dimensão e mérito do trabalho realizado no âmbito da criação e objectivos delineados em matéria de complementaridades de uma obra polémica e extremamente onerosa para a autarquia aveirense, onde se investiram mais de 10 milhões de contos e para a qual o Estado entrou com uma comparticipação de apenas 25 por cento desse dinheiro. Que a Câmara não tinha e teve de pedir emprestado à banca, herdando uma dívida que irá condicionar a sua acção, em matéria de investimentos, durante muito tempo.
Mas, por favor, não nos venham dizer que o estádio foi mal concebido esteticamente, que não é funcional, que está «longe para burro” e que, em função dos défices acumulados talvez uma qualquer “implosão” que o fizesse cair por terra num simples abrir e fechar de olhos fosse um cenário aceitável. Isso é charlatear, é brincar com coisas sérias de mais e que, acima de tudo merecem profunda reflexão, projectos inovadores e complementares e eventos - muitos eventos que arrastem multidões até Taboeira, já que em matéria de “chuto na bola” a crise de afluências é inquestionável e um mal nacional e não apenas de Aveiro !
No meio de todo este imbróglio, o comentário que nos merece toda esta confusão e declarações disparatadas é que «os deuses devem andar loucos» neste país…'
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