Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010
Eu acho que a participação da comunidade neste plano [PECA] é fundamental e por várias razões. Pela relevância da 'encomenda' (estamos a pensar o futuro, a 20 anos), pelo conhecimento que poderemos ganhar sobre as oportunidades/riscos que 'afectam' o concelho, os recursos/problemas fundamentais, os objectivos para o futuro, as opções que se colocam e os projectos e iniciativas âncora/estratégicas, e, finalmente, pelos modestos contributos que poderemos dar (em cada uma das etapas atrás identificadas).
O capital de conhecimento e de mobilização que se pode adquirir num processo participado é fundamental, pois pode contribuir para um alinhamento das posturas e projectos dos diferentes actores da cidade (não só da autarquia), mobilizando as energias e os recursos ('escassos') para o que são as opções estratégicas.
Vamos a isso?
JCM
De joão carlos a 7 de Fevereiro de 2010 às 17:18
ESSENCIAL E ACESSÓRIO
Aveiro tem assistido nos últimos anos de governação autárquica, a um desenrolar de discursos e intenções que não deixam tranquilo quem pela cidade tem uma dedicação e carinho especiais.
Entre os projectos que o município tem vindo a anunciar podem-se contar vários que de essencial têm apenas a necessidade de protagonismo e de lançamento de uns quantos “foguetes” de estoiro breve:
- o monumento para evocação a muralha de Aveiro, encomendado ao prestigiado arquitecto Siza, que assim se mostra solidário em mostrar um passado em vez de construir futuro. (lembre-se que na época se soube dar melhor uso às pedras da muralha, utilizando-as numa estrutura muito mais necessária com a construção dos paredões da entrada da Barra que assim viabilizaram o comércio e a salubridade da região aveirense);
- o arranjo da Capela de S. Tomás de Aquino, junto à Fonte Nova, encomendada ao arquitecto, Prémio Pessoa, Carrilho da Graça, que há muito as gentes de Aveiro reclamavam;
- a ponte pedonal sobre o Canal Central, assumindo-se como novo “ex-libris” da cidade, pois que o conjunto Arte Nova e toda a frente do Canal, já não apresentam nada de especial;
- o “Parque da Sustentabilidade”, que para se sustentar estoira com mais uns milhões, mostrando a todos aquilo que já existe, ou fazendo edifícios que ninguém sabe para o que servem como a “casa da sustentabilidade”.
Estranha-se que a autarquia se esforce por ter os maiores vultos da arquitectura portuguesa para fazer obras menores, sem catalizar os melhores projectistas em obras que valorizem e melhorem o quotidiano de todos quantos vivem na cidade.
Será que os nossos autarcas ainda não viram a gritante ausência de corredores pedonais, a ineficiência dos parcos transportes públicos; ou a escassez de espaços verdes? Será que ainda não viram os engarrafamentos matinais de quem quer vir da periferia para trabalhar em Aveiro? Será que ainda não sentiram o “logro” que é a chamada capital da bicicleta” Será que vão deixar em degradação acelerada a Avenida Lourenço Peixinho, ou também não vêem os crescentes buracos no asfalto?
Deixa-nos apreensivos a vontade deste Município em deixar uns quantos “monumentos” em vez de transformar a cidade numa estrutura eficaz e confortável. O acessório é sempre mais rápido de obter do que o essencial. Falta trabalho e atenção a estes representantes da população.
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