Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
[a propósito da discussão da mailing-list dos Amigosd'Avenida, a opinião de Joaquim Pavão]
A ética do todo
Os eles, habitantes dos nossos espaços, sempre povoaram as contradições do nosso pensamento. Queremos sempre o melhor, o nosso melhor. Nada mais do que o todo. A partir daí desenha-se uma linha de pensamento. Os eles somos nós.
O todo não é democrático, bem como a estética, a luta, a revolução e talvez até a ética. Os conceitos absolutistas nascem de dentro. Contra
isso nada se pode fazer. Característica humana, essencial para a sobrevivência, a aquisição do feio, do bonito, do mau, do bom, do sinto torna a balança assente numa parte, a nossa e dispara virada para o ar. Um problema de dispersão segue ao primeiro, do eu.
Discutir é analisar e a analise uma virtude. Nos amigos davenida a pluralidade é a maior conquista. Cabe a cada um de nós (eles) saber mantê-la. Se um argumento é baseado na assumpção pessoal do que eu sinto, perde-se a opinião. A opinião é filha da liberdade e jamais escrava de emoções, isto bem sabiam os revolucionários franceses entre as mãos colocadas na cabeça. O depois é sempre tarde demais.
Como cidadão, músico, nada entendo de urbanismo, de arquitectura. Gosto, não gosto, umas quantas sensações. Nada demais. Não gosto de ovos, mas não vamos matar as galinhas. Talvez matemos só as feias? Viva as galinhas bonitas. Ridículo? Pois é.
A ponte teve um pertinente artigo. Gil Moreira fez uma analise e mostrou as dúvidas que merecem discussão. Vale a pena reler, pensar e analisar. Talvez valha a pena reflectir a constituição de um júri sem um único elemento politico sufragado? Se assim for, apesar da pratica comum neste pais, acho que vale. A Câmara Municipal somos nós, como tal não nos representou. Foi ocupada, refém de um todo. E o todo somos nós, sem voz.
Talvez mais do que a emoção explosiva, da amargura dos moinhos invisíveis de El Cid, seria melhor tal como Sancho olhar o obvio. No fundo não há galinhas feias ou bonitas pois não?
Joaquim Pavão