Quinta-feira, 19 de Maio de 2011
Um dia destes vou ter que repensar a relação com a ‘minha’ Avenida. Há dias, dei conta que raramente a vejo. Passo por ela à pressa ou nem sequer lá vou, se quero ir mais depressa. Afinal, raramente preciso dela e quase nunca está lá algo que me leve a procurá-la! Saio, até participo na vida da cidade, mas isso raramente me leva à Avenida. Consumo coisas, mas não na Avenida. Vejo os amigos noutros pontos da cidade. E vou ao cinema, ao teatro e a concertos e nunca na Avenida. No meio da corrida, não passo sem um café, de preferência numa esplanada, mas não na Avenida. Trato de assuntos com a Administração, como qualquer cidadão, e trabalho, mas resolvo todas essas coisas fora da Avenida.

Tenho algumas ideias sobre o que a Avenida poderia ser. Considero, ainda, que ao fim de algum tempo, alguns de nós, no contexto de uma esfera pública relativamente restrita, fomos construindo um discurso sobre a Avenida, o qual, sem ser consensual, nos trouxe, pelo menos, para um novo nível de consciência sobre os problemas desta e sobre a sua dimensão. Haverá também, porventura, algumas propostas que seriam partilhadas sem dificuldades, porque no caminho entretanto feito houve trocas de ideias e aprendizagens colectivas que permitiram afinar a ideia da “Avenida de um” com a ideia da “Avenida do outro”. O processo argumentativo está, portanto, vivo e está na rua. Só é pena que não esteja em plena ‘Avenida’, ou seja, no espaço popular, na verdadeira ‘esfera pública’. Ouvir os especialistas é essencial para assegurar alguma eficácia e evitar a arbitrariedade, mas planear é também relativo ao desejo e à utopia, e isso começa antes do acto de projecto e do primado da técnica. Há outras, e muitas, Avenidas possíveis na Avenida Lourenço Peixinho. É, aparentemente, a mesma comunidade que a trouxe até aqui (a este estado), que a quer agora de outra(s) maneira(s). Mas é apenas aparentemente a mesma. As mesmas pessoas, e eventualmente algumas outras, são, ou querem ser, colectivamente outras, no que se refere à Avenida e a outros assuntos da cidade. Haverá espaço na Avenida para aceitar estas outras avenidas?

A nossa Avenida vai ser em breve outra Avenida. Pensado sobre o que a Avenida pode vir a ser para mim, só me ocorre: seja o que for que façamos, que seja possível eu mudar a minha relação actual com a Avenida; que eu possa, queira e precise de lá ir e que goste de lá estar.

Fernando Nogueira


publicado por amigosdavenida às 01:56 | link do post | comentar | favorito

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