O futuro não se prevê, constrói-se, recordava o Professor João Ferrão numa conferência realizada há dois anos no Porto sob o tema "Planning in times of uncertainty".
Dizia, na altura, que num momento de particular dificuldade a nível nacional e global urge, de facto, equacionar os meios adequados para construir colectivamente melhores respostas para os problemas das nossas cidades.
Decorrente da sua experiência governativa, o Professor João Ferrão recomendava também que se levasse mais ‘inteligência colectiva’ para os processos de decisão, apostando nos instrumentos que estão relacionadas com a democracia deliberativa de forma a combater duas culturas perniciosas: a 'ingenuidade tecnocrática' e o 'autoritarismo iluminista'.
Acrescentava ainda que a experiência de aprofundamento da democracia deliberativa nas nossas autarquias estava longe de ser devidamente estimulada e trabalhada.
A sugestão do Professor João Ferrão, as circunstâncias actuais (que o Carlos Jalali refere no artigo publicado no Plataforma Cidades) e a realidade em Aveiro permitem tirar algumas ilações.
Primeiro, que a construção do futuro da cidade é frequentemente entendida como um exercício de fé na razão técnica, que não oferece espaço para discutir ou reflectir sobre a racionalidade dos processos e das soluções que tem produzido (o caso do Alboi é um exemplo paradigmático).
Segundo, que existe uma diferença significativa entre o discurso (‘governação participada, em que todos os seus parceiros serão interlocutores indispensáveis’; ‘as sociedades mais prósperas colocam os cidadãos como o centro da sua atenção das suas políticas’) e a prática conhecida, existindo vários exemplos que mostram que existe uma concepção redutora, mitigada e mesmo conservadora do papel dos cidadãos na vida colectiva.
Por último, que num momento difícil como o que atravessamos, de grande contenção de recursos financeiros, o governo local não tem sabido utilizar o vasto capital cívico existente, que por diversas vezes tem demonstrado querer ser um parceiro útil para encontrar melhores soluções.
As difíceis circunstâncias em que nos encontramos exigem o aprofundamento da reflexão sobre os métodos, as práticas e a cultura de governo local e o estabelecimento de um novo quadro de relacionamento entre o poder e os actores locais.
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