ÁRVORES DO MEU JARDIM
Nasci no Bairro do Alboi à 50 anos atrás.
Aquelas árvores já lá estavam.
Quantas vezes lamentei o seu mau trato (anos e anos sem tratamento e devida poda).
Conheci-as a todas, subi a todas elas nos jogos da minha meninice.
No passado sábado visitei o meu bairro, o meu jardim e chorei.
Chorei a morte das minhas árvores, sentindo que haviam cortado um pouco de mim.
Sabendo antecipadamente da intervenção no jardim, temia que previssem retirar algumas delas.
Nunca imaginei que todas fossem arrasadas. E a morte é a morte, irreversível.
Não pude deixar de sentir que uma vingança tinha sido gerada pelo recuo na decisão de cortar o jardim ao meio para invasão do trânsito.
Agora, vim a ler que o corte das árvores teria sido necessário dado o seu estado de degradação e perigo de queda.
Como se alguém se tivesse preocupado com isso. Como se tivesse havido algum respeito por elas...mais velhas e nobres que eles.
"Olha! Esta já tem podridão na sua base! Que sorte! Bora cortar as outras, tomara que mais apareçam assim!"
O crime transformado em virtude.
Todos morrem, árvores e homens, mas só os homens matam.
Morreram as árvores do meu Alboi, do meu jardim.
Morreu um pedaço de mim.
João Fernandes
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