A insustentável forma de um jardim
Venho falar-vos do jardim da minha casa. Mas que, não por acaso, não é só meu, é vosso também. Mesmo que nunca tenham passado, brincado ou descansado lá, ele é vosso. Mas também é da Câmara e, talvez por isso, tenha deixado de ser um jardim de todos.
Um jardim entre o Parque da Cidade e o Alboi. Um jardim que teve o privilégio (ou o azar) de fazer parte do “Parque da Sustentabilidade”.
Um dia, acordei sem este jardim. Tinha sido fechado. Selado. Intransitável.
Foi em Outubro. Há mais de 10 meses. Há 3 estações do ano atrás.
Nada aconteceu durante estes 10 meses em que deixámos de ter jardim.
Não houve mais crianças a correr, bebés a passear, nem casais de namorados. Não houve mais jogos de bola, nem jogos sem bola, nem corridas na ponte, nem sem ser na ponte. Não houve mais conversas na relva, não houve mais…parque.
Apenas num dos cantos deste jardim há máquinas escavadoras e estruturas a serem montadas. No resto dele, que se vê apenas de janelas altas vizinhas, nada foi feito. Nem mesmo cortado. A relva, e outras plantas mais intrusivas cresceram em plena liberdade, ao contrário dos patos, que o abandonaram logo depois de terem sido, também eles, abandonados. Mas isto, como disse, apenas pode ser visto de longe. Porque de perto os buracos das redes não são largos o suficiente para o espreitar.
Há pouco tempo o jardim vizinho, mesmo ao lado deste, foi alvo de abate total. Este não chegou a ser vedado. Foi abatido. Talvez para uma reforma sustentável, para dar lugar a um melhor jardim. Talvez…
Mas o que esperar deste jardim fechado há quase um ano? Como se pode fechar algo público durante tanto tempo se não há nada a acontecer?
No dia a seguir a acordar sem jardim questionei a autarquia sobre os planos camarários e os seus prazos. Disseram-me que fazia parte do projecto para o “Parque da sustentabilidade”, que iria proceder-se a uma requalificação do parque e que a sua conclusão seria em Maio de 2012.
Estamos em Julho de 2012 e nada ainda foi terminado. Perdão, nada foi iniciado.
Não venho contestar a requalificação, palavra tão nobre e valiosa, venho apenas pedir que deixem este espaço público ser público enquanto as obras “privadas” não teem lugar.
Espero sinceramente que o nosso Rossio, que por azar (ou privilégio) também faz parte do “Parque da Sustentabilidade”, não tenha o mesmo destino que este jardim… há tanto tempo insustentável.
Alexandra Monteiro
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