Segunda-feira, 18 de Março de 2013

Um dos desafios da política pública municipal de mobilidade deveria passar por conseguir fazer com que as deslocações em transporte individual (TI) de curta duração (até 5 minutos) fossem feitas noutro modo de transporte (autocarro, a pé ou de bicicleta). Esta proposta podia ter um enorme impacto pois o peso destas deslocações é significativo já que totaliza 40% do total das deslocações em TI na região de Aveiro e 37% no concelho de Aveiro (PIMTRA, 2013).

Este padrão de mobilidade tem custos significativos para o consumidor, para a cidade/concelho e para o ambiente. Uma análise do consumo de combustível por concelho permite constatar que nos últimos dez anos  houve, em Aveiro, um aumento de 126%, contabilizando o concelho actualmente 42% do consumo dos 11 municípios da região de Aveiro (PIMTRA, 2013).

Por outro lado, estudos recentes referem que a oferta de parques de estacionamento pagos subterrâneos no centro de Aveiro (Fórum, Marquês de Pombal, Manuel Firmino, entre outros) têm uma baixa taxa de ocupação, menor que 30%, existindo uma capacidade instalada não utilizada próxima dos 1.800 lugares. Mesmo o estacionamento pago à superfície tem a taxa de ocupação que não ultrapassa os 80% (Santos, 2009).

A mudança do padrão de mobilidade e a promoção dos modos suaves deveria ser um desafio para Aveiro, que tem tido ao longo do tempo bandeiras relevantes nesta matéria. Acontece que para que essa mudança ocorra é fundamental que sejam mobilizados todos os instrumentos de política pública de transporte (dinamização do transporte colectivo, política de estacionamento, promoção da mobilidade suave) e de planeamento do território. Sendo poucos os instrumentos estes devem ser geridos com enorme prudência, devendo ser evitadas todas as medidas pontuais que possam perturbar a sustentabilidade da mobilidade e a penalização da vida urbana em Aveiro.

Seria pois importante que as propostas de privatização da concessão do estacionamento à superfície e a construção de mais parques de estacionamento subterrâneos que a CMA quer fazer no centro da cidade (publicadas na sexta-feira em Diário da Repúblcia) fossem objecto da mais ampla explicação pública, pois aparentemente contrariam o que deveria ser as boas orientações de política pública e as opções estratégicas de promoção da sustentabilidade que Aveiro afirma querer promover. Tendo em conta que a proposta irá ter um impacto espacial e temporal significativo (o prazo de concessão é de sessenta anos e abrange todo o centro da cidade) talvez se justificasse o desenvolvimento prévio de um debate público, antes de qualquer decisão definitiva sobre a matéria. A discussão poderia começar por esclarecer a fundamentação técnica da necessidade dos parques de estacionamento e de que modo é que estas opções (estacionamento e concessão) vão ao encontro dos objectivos e propostas dos planos (de mobilidade e da Avenida) que a autarquia tem em desenvolvimento.

José Carlos Mota


 


*1 

Fonte: PIMTRA, 2013



*2



Fonte: PIMTRA, 2013


*3


Fonte: Censos 2011







publicado por JCM às 10:59 | link do post | favorito

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