Contributo enviado por Paulo Batista
Nas linhas seguintes, tento apresentar dois elementos: uma análise dos pontos cruciais do território e uma "ideia" de actuação.
PONTOS CRUCIAIS
1. O território que hoje se assume como o "centro" da cidade de Aveiro é - naturalmente - um território polinucleado (à escala micro), apresentando cada um dos seus núcleos elementos sociológicos e funcionais próprios. Destes, distinguem-se três:
A. O núcleo clássico (do "poder", da actividade cultural erudita, do património construído), esvaziado enquanto ponto de fixação dos habitantes é, cada vez mais, um "fluxo de passagem" - um nó de amarração de diferentes "sectores" sociais e unidades territoriais.
Apresenta uma "aura" envelhecida, embora de um passado, talvez, "reluzente" - denota-se a degradação de espaços, em tempos, centrais na vida da cidade: o teatro, o clube recreio artístico.
Contudo, a natureza do seu espaço é pontilhada pelas pequenas praças, pelas condições físicas ideais ao "acontecimento", à "contemplação": a natureza das suas ruas e do seu património é "uma descoberta constante".
Estende-se ao Alboi - um antigo bairro dos "estrangeirados".
B. O núcleo comercial (do "business", do comércio e dos serviços), assume-se como a sala de visitas da cidade. Para quem vem e fica. Para quem vem e apenas "passa". A Avenida Lourenço Peixinho é diversificada na sua funcionalidade e muito heterogenea nas pessoas que a "compõe": turistas, habitantes, trabalhadores, estudantes, passageiros, ...
Um sem numero de instituições e associações e organizações(...) encontram-se aqui instaladas e desenvolvem as suas actividades.
C. O núcleo popular (pop), no Bairro da Beira - Mar apresenta a tipicidade da cidade - o elemento que mais identifica Aveiro: a ligação à ria, ás suas actividades socio económicas. Seja, em termos turisticos, seja pelas actividades dos seus habitantes, seja pela animação nocturna - popular, "de massas", jovem, irreverente.
2. Cada uma destas unidades estabelece-se na cidade de forma muito autónoma contribuindo para a ausência e/ou dispersão de actividades integradoras;
3. Como se pode analisar no mapa em anexo, a confluência destes fluxos encontra-se num ponto - "os Arcos/Ponte Praça".
4. As organizações culturais e recreativas apesar de apresentarem uma distribuição muito próxima da nucleação atrás descrita, apresentam uma maior densificação na proximidade dos "Arcos".
5. Aparentemente as actividades destas organizações não se encontram enquadradas e integradas em qualquer dinâmica relevante e transversal - sendo as iniciativas, maioritariamente individuais [existem experiências de concertação?] e, muitas vezes, pouco participadas (veja-se as dificuldades do Cine Clube e do Recreio Artístico...);
IDEIAS
I. Desenvolver uma "plataforma de entendimento e concertação institucional" … uma ponte que estabeleça a ligação do cidadão … à instituição municipal, passando, de forma essencial, por colocar todas as associações e organizações com forte impacto sócio-cultural neste território à mesma mesa, a "falar" a mesma língua.
A estrutura desta plataforma poderá apenas cingir-se a contactar, organizar e compilar informação estratégica.
II. Coordenar a recolha e produção de material sobre os espaços públicos culturais em análise.
III. Por fim, a coordenação de "eventos", que pode cingir-se a algo tão simples como criar uma "agenda" (compilando as diferentes iniciativas das diferentes entidades), o marketing e divulgação integrada dessas iniciativas (por exemplo, como "pacote", como "circuito" - o que exige, por exemplo, horários compatíveis).
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