Quarta-feira, 18.05.11

A Avenida

João Martins

 

http://joaomartins.entropiadesign.org/2011/05/17/a-avenida/

 

Em Aveiro, chama-se simplesmente “Avenida” à Avenida Dr. Lourenço Peixinho, uma das mais antigas artérias da cidade e que é “rematada” com a Estação dos Comboios. A “Avenida” é, mais do que uma artéria da cidade, um assunto de debate, um pomo de discórdias e concórdias várias, um foco do investimento de reflexão crítica sobre a cidadania e sobre as possibilidades e modalidades de participação cívica na discussão sobre o futuro da cidade. E a “Avenida” representa e corporiza, simultaneamente, os piores vícios do passado e presente da cidade— alguma estagnação económica e urbana, alguma anemia cívica, alguma estreiteza de vistas, ignorância e má-fé de decisores políticos e promotores imobiliários (uns travestidos noutros, por vezes)— e alguma da esperança no seu futuro— há um importante movimento cívico que se auto-intitula Amigos d’Avenida, sobre ela se produzem reflexões várias, nela se projectam soluções de e para a cidade (vejam aquie participem no Facebook).

Eu confesso que tenho dúvidas sobre o que pode ser a Avenida. Desde pequeno, aliás. Há uns anos atrás, tinha mesmo dificuldade em entendê-la como Avenida, por se tratar, de facto, dum cul-de-sac que, na minha perspectiva, só podia ser uma boa solução urbana caso o transporte ferroviário tivesse o peso estratégico que devia ter nas políticas de mobilidade e transportes. Em vez disso, abriram-lhe um buraco para ela deixar de ser um cul-de-sac(trocadilho não intencional) e ligaram-na a uma grande rotunda numa política de municipalização da EN109 e, por isso, de aposta continuada no transporte rodoviário, sobre a qual tenho sérias dúvidas. A construção da nova Estação de Comboios sinaliza a modernização infra-estrutural da linha do norte, mas nada de estratégico ou impactante na política de mobilidades acontecerá por esta via. A linha do Vouga e as possibilidades de novas ligações (comboio ou metro de superfície) pelo menos até Águeda, continuam a ser uma miragem. A sectorização da linha do norte por parte da CP e o papel de Aveiro como ponto de encontro não articulado das ligações suburbanas ao Porto e “regionais” a Coimbra, colocam Aveiro numa posição estranha, no panorama ferroviário.

Mas, para lá deste aspecto “operativo” da Avenida e duma das suas potenciais funções que, obviamente depende do peso que pretendemos dar, colectivamente, ao equipamento que é o seu limite e remate natural, como é que se pode intervir sobre os restantes 1400 metros de Avenida e qual a natureza e objectivos dessa intervenção? Porque é que a Avenida é importante? Para que serve?

Aveiro, como terra pequena que é, e com os seus tiques provincianos adoráveis, é sensível a discursos que mistificam a Avenida como símbolo da cidade, espaço de memórias e qualidades urbanas perdidas. Eu, que vivi em Aveiro uma boa parte dos meus (curtíssimos) 34 anos de vida, não me lembro dessas qualidades urbanas. Lembro-me de alguma vitalidade mais bem distribuída, lembro-me de menos parcelas devolutas, lembro-me de mais arquitectura ordinária e menos arquitectura osbcena… mas lembro-me dum afastamento e desinteresse face a este espaço que, colectivamente, explica a sua degradação, as intervenções desqualificadas, a perda sistemática de funções urbanas e um desrespeito inacreditável pelas poucas peças de arquitectura com algum valor, que suscitaram apenas uma indignação passageira, ainda que apaixonada, em alguns casos.

A Avenida de Aveiro, de que agora todos queremos ser “amigos”, esteve “abandonada” à sua sorte durante muitos anos. Décadas. Temos que ser capazes de assumir esse abandono, colectivamente, e perceber as suas causas, antes de grandes intervenções cosméticas, seja qual for a receita de “regeneração urbana” aplicada.

Porque, acima de tudo, não podemos presumir que está toda a gente “mortinha” por ir para a Avenida e utilizar os seus espaços, logo que eles estejam requalificados.



publicado por amigosdavenida às 13:00 | link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 21.07.10

"O poder politico tem de se adaptar à pressão da sociedade civil", a ideia foi defendida por Ricardo Vieira de Melo, Presidente do Núcleo de Arquitectos de Aveiro em entrevista concedida à Terra Nova. "As Câmaras Municipais tem de passar a conviver com a pressão exercida por movimentos comunitários locais, quando em causa estiverem projectos urbanos comuns, relacionados directamente com o ordenamento do território local", disse Ricardo Vieira de Melo entrevistado no programa de grande informação “Conversas”, reforçando ainda a ideia de que "é necessário desenvolver uma estratégia concertada entre Municípios vizinhos".

Aveiro e Ílhavo “partilham” o futuro Parque da Ciência e Inovação e em termos de rede viária "a articulação entre os dois municípios é deficitária", disse.

Relativamente ao Plano Estratégico do Concelho de Aveiro, Vieira de Melo adiantou que "é preciso desenvolver estrategias consensuais e intercaladas com os municípios vizinhos". A entrevista pode ser ouvida hoje na RTN, depois das 19h00.

http://www.terranova.pt/

Emissão on-line



publicado por amigosdavenida às 17:30 | link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 02.06.09

O  Núcleo de Arquitectos de Aveiro, NAAV, organiza o ciclo de conversas 'Dão-se Explicações ’09 (outras causas)', um "slideshow e debate sobre a arquitectura contemporânea no Distrito de Aveiro, no outro Portugal não metropolitano e sobre os seus autores e uma oportunidade de exposição pública sobre a arquitectura produzida em Portugal pelas novas gerações".

 

As sessões decorrem às 4ª feiras, 21h30, no Espaço A, Casa Municipal da Cultura, em Aveiro,


3 Junho, 4ª feira, 21h30 | Património
Camilo Rebelo, Tiago Pimentel (Museu do Côa)
Gonçalo Canto Moniz, Armando Rabaça, Nuno Morais (Museu da Cidade - Aveiro)
Moderador: Jorge Figueira



publicado por amigosdavenida às 23:27 | link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 12.05.09


publicado por amigosdavenida às 17:31 | link do post | comentar | favorito

EU site

"The European Commission and the Fundació Mies van der Rohe today announced  the  finalists for the European Union Prize for Contemporary Architecture – Mies van der Rohe Award 2009, one of the most important and prestigious prizes for international architecture.
By supporting the Prize, the European Commission underlines the role of architecture as a driver for creativity and innovation and draws attention to the important contribution of European professionals in the development of new ideas and technologies. 
The finalists are: 

  • Multimodal Centre – Nice Tramway, Nice (France) by Marc Barani / Atelier Marc Barani
  • Zenith Music Hall, Strasbourg (France) by Massimiliano Fuksas, Doriana Fuksas / Massimiliano Fuksas Architecture
  • University Luigi Bocconi, Milan (Italy) by Shelley McNamara, Yvonne Farrell / Grafton Architects
  • The Norwegian Opera & Ballet, Oslo (Norway) by Kjetil Trædal Thorsen, Tarald Lundevall, Craig Dykers / Snøhetta
  • Library, Senior Citizens’ Centre and City Block Core Zone, Sant Antoni’s District, Barcelona (Spain) by Rafael Aranda, Carme Pigem, Ramon Vilalta / RCR Aranda Pigem Vilalta Arquitectes"

 

Multimodal Centre – Nice Tramway, (France)

Zenith Music Hall - Photo: Moreno Maggi

University Bocconi - Photo: Federico Brunetti

Oslo Opera - Photo: Jens Passoth

Senior Citizens’ Centre - Photo: Hisao Suzuki



publicado por amigosdavenida às 17:24 | link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 03.04.09

 notícia Diário de Aveiro

Ricardo Vieira de Melo, presidente do Núcleo de Arquitectos de Aveiro: “Crescer para a periferia não é necessário nem vantajoso”
“O desafio é qualificar as cidades e não torná-las maiores”, refere Ricardo Vieira de Melo. O presidente do Núcleo de Arquitectos de Aveiro (NAV) diz-se “chocado” com a construção do ramal ferroviário para o porto

Qual o trabalho que o NAV desempenha? 
A Ordem dos Arquitectos faz o papel principal. Nós somos uma delegação que tem competências sobretudo ao nível da divulgação cultural da arquitectura. A ideia não é só trabalhar em prol dos arquitectos, mas trazer um pouco mais de cultura arquitectónica à população em geral, porque ainda é necessário que isso aconteça. A cultura arquitectónica é uma coisa que se constrói, mas demora algum tempo. 

Como se incute essa cultura no cidadão comum? 
Quanto mais não seja através da máxima divulgação possível da boa prática arquitectónica. Exposições, palestras e acções de formação são alguns meios para chegar ao grande público e aos profissionais. 

Acha que Aveiro tem essa cultura arquitectónica? 
Às vezes tem, outras nem por isso. 

Que bons exemplos de arquitectura existem na cidade? 
A Universidade de Aveiro é uma referência a nível nacional e internacional. E pontualmente há outros. 

Como por exemplo? 
Temos dois edifícios do arquitecto Fernando Távora, dos anos 50, assim como outros do início do século passado, também associados à Arte Nova, o Teatro Avenida, que não está tão acarinhado quanto poderia estar… 

É difícil apontar bons exemplos de construções actuais? 
É mais difícil porque a classificação sobre a qualidade de um edifício não é uma coisa que se consiga de imediato; é preciso dar algum tempo para se perceber como foi assimilado pela cidade, se se comporta bem perante o espaço… É mais seguro fazer essa identificação em edifícios que tenham já algum tempo de maturação. 

Disse que o Teatro Avenida não está tão acarinhado quanto poderia estar. O que deveria ser feito nesse edifício? 
É sempre difícil falar nesse tipo de situações, porque são edifícios que estão entregues aos privados. Não podemos transformar todos estes edifícios em museus, isso é incomportável para qualquer autarquia, mas algumas parcerias público-privadas poderiam eventualmente servir para a sua revitalização. Há de vez em quando a tendência – e refiro-me ao país – de imaginar a construção de edifícios novos a partir do momento em que uma necessidade é identificada. Às vezes essa necessidade é facilmente solucionada pela reconversão de um edifício existente, o que traz vantagens se for bem executada, desde logo a localização, porque são edifícios centrais. Isso contribui para a revitalização dos centros das cidades, que é urgente fazer. 

(Ler notícia completa na edição em papel) 



publicado por amigosdavenida às 00:22 | link do post | comentar | favorito


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