A CMA tem em discussão pública uma proposta que prevê o alargamento do horário de funcionamento dos bares para as 4 da manhã durante todos os dias da semana (http://files.cm-aveiro.pt/XPQ5FaAXX31357aGdb9zMjjeZKU.pdf).
No âmbito dessa discussão pública surgiram várias preocupações, das quais retive as seguintes (para mais informação ver *1 e 2):
- as dificuldades de fiscalização e implicações já hoje existentes (lixo, destruição e vandalismo);
- o facto do horário proposto para os bares poder ser lesivo do devido descanso dos moradores (e lesiva de outras actividades similares, nomeadamente as discotecas);
- a circunstância dos preços baixos das bebidas e do tipo de álcool consumido poderem potenciar desavenças ou distúrbios pondo em causa a segurança;
Curiosamente estas afirmações corroboram o ‘Estudo da Cultura Recreativa como Instrumento de Prevenção’ realizado em várias cidades portuguesas, entre as quais Aveiro (* 3). O estudo, apresentado há um ano em Aveiro na Associação Comercial de Aveiro pela Plataforma Cidades, dinamizada pelo arquitecto Pompílio Souto, conclui o seguinte:
- Aumento de violência e distúrbios aos fins-de-semana e a partir das 4h da manha (…), em particular (…) em cidades sem transportes públicos nocturnos e com poucos os táxis (…).
- Aumento do ruído ao fim da noite com perturbação dos vizinhos (…)
- Aumento do tráfico de substâncias ilegais nas áreas estudadas
- Aumento da sinistralidade e internamentos hospitalares envolvendo jovens (noites de sexta-feira e sábado)
- Queixas generalizadas de falta de policiamento
Julgo que antes de se deliberar sobre o alargamento dos horários seria importante discutir que modelo de cultura recreativa nocturna queremos para a nossa cidade.
JCM
(*1)
(*2)
(http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N24470)
(*3)
http://plataformacidades.blogspot.pt/2011/07/estudo-da-cultura-recreativa-como.html
http://www.appsp.org/sites/appsp.org/files/084_Bloco3-MariaRosarioMendes.pdf
Quebra de vendas obriga proprietários de bares a despedir colaboradores
PAULA ROCHA, JN
"Menos clientes e menos bebidas vendidas, sobretudo as brancas, em que se nota uma quebra na ordem dos
A crise de que tanto se fala também já chegou ao negócio da noite. Alguns proprietários de bares de Aveiro já tiveram de dispensar colaboradores para fazer face aos baixos lucros que têm tido nos últimos meses.
Os despedimentos centram-se na casa dos
Guilhermino Figueiredo, que gere três bares na cidade de Aveiro, admite que durante o ano
Também Mendes Oliveira, proprietário de um bar na Praça do Peixe, garante que "em cada 10 funcionários, tive de dispensar dois". "As pessoas consomem menos e o preço das bebidas que temos de comprar não tem descido. Para fazer face a isso, fui obrigado a avançar com estas dispensas". António Peres, que também gere um bar, diz que ainda não despediu colaboradores, mas "em vez de contratar mais pessoas, acabamos por ser nós a fazer o trabalho".
Os proprietários dos bares queixam-se do baixo consumo de bebidas e do preço da "matéria-prima". "Num ano, o preço da cerveja aumentou já cinco vezes. Para não perdermos clientes não aumentamos os preços, o que nos obriga a uma taxa de esforço muito maior", queixa-se Guilhermino Figueiredo, que optou por manter os preços "para não perder ainda mais clientes".
António Peres acredita também que a crise está a conduzir a um novo fenómeno, muito habitual em Espanha. "As pessoas agora quando saem, e eu já vejo isso muito, trazem as próprias bebidas de casa. Cada vez mais se vê jovens na rua, à porta dos bares, com garrafas de bebida nas mãos. Estão à nossa porta, mas não consomem", lamenta este proprietário, que também se queixa dos fracos lucros que tem tido nos últimos meses.
"Outra coisa que se nota é que quem saia três ou quatro vezes, agora sai só ao fim-de-semana e bebe cerveja ou até água. Quem bebia três ou quatro bebidas, agora bebe uma, e nós continuamos a ter as mesmas despesas. Não sei como será se a coisa não mudar, é cada vez mais complicado aguentar esta taxa de esforço que estamos a fazer", refere Guilhermino Figueiredo.
A maioria dos bares abre às 18 horas, "mas os clientes deixaram de aparecer ao final do dia", diz António Peres, acrescentando que "o horário de negócio acabar por ser só entre as 22 e as duas da manhã, mas com muito menos clientes".
Os proprietários em crise queixam-se também "da concorrência desleal" de algumas associações culturais.
"Não estão sujeitos ao mesmo regulamento que nós e a verdade é que também têm bares e podem estar abertos até às horas que querem. É injusto", lamenta António Peres".
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