Aqui vos envio esta crónica sobre o Michael Barrett.
Convido-os a estarem presentes na inauguração desta exposição a 17 deste mês no Centro de Artes e Espectáculos da F. da Foz, pelas 18 horas.
Bom F. S. são os desejos do
José Sacramento
Michael Barrett Corpo azul da Figueira a Buarcos
"Esta figura carismática, popular que se chamou Michael Barrett foi um pintor que, desde 1974 passou a visitar Aveiro por longos períodos de tempo e aqui, pela sua maneira simples de ser e pela sua simpatia, granjeou um larguíssimo número de amigos com quem conviveu e pintou em franca e sã camaradagem. Pintor exímio, autodidacta e de cariz naife, pintou Aveiro e toda a sua vasta região, durante quase trinta anos. Está representado no Museu de Aveiro com uma belíssima aguarela representando o Canal central no centro da cidade e fazendo parte de centenas de colecções de arte em todo o distrito de Aveiro.
Com uma exposição retrospectiva-antológica marcada para o próximo dia 17 no Centro de Artes e Espectáculos - CAE na Figueira da Foz, apresentamos hoje na nossa crónica semanal, um história que escrevemos para o livro-catálogo que irá ser lançado no dia da inauguração, para relembrar aos nossos leitores, esta interessante personagem, também um “aveirense” como ele próprio, muitas vezes se intitulou.
Grande admirador de Picasso e Matisse, descendente de pais estrangeiros, toda a vida viveu em Portugal onde veria a falecer em 2004.
Conhecemo-nos em 74. Logo a seguir ao 25 de Abril. Apresentou-nos o pintor Julio Gouveia. Na feira de artesanato de Cascais num sábado cheio de sol. Estava em tronco nu com um copo de vinho na mão e a comer.
E foi assim toda a sua vida. Uma vez perguntei-lhe: Michael , a tua vida é comer e pintar, a tua vida resume-se nisso, mais em comer ou pintar?
Mais em comer, respondeu ele a sorrir, malicioso no olhar, como ele às vezes fazia!
Michael vivia em função destas duas necessidades, para ele fundamentais. Adorava pintar e adorava comer!
Na realidade ele não sabia fazer mais nada na vida a não ser isto e, fazia-o muito bem!
Pintar era para ele tão vital e tão necessário como respirar. Estava-lhe no sangue, estava-lhe na alma!
Era visceral. Pintava exaustivamente sempre com o maior prazer que o acto de criar lhe proporcionava. Caso curioso, pintava sempre com a mão direita e comia com a esquerda.
Nunca ligou nada à sua carreira profissional nem nunca se preocupou com a sua imagem nem com a sua promoção artistíca. Foi sempre muito simples e sem preconceitos de espécie alguma. Muito descontraido, fazia e conquistava amigos á primeira vista! Mas, individualista por natureza, gostava mais de receber do que oferecer, sendo por vezes, até, um tanto egoísta.
Para ele tudo estava bem, o que era importante era viver o dia a dia. Sem grandes preocupações nem responsabilidades. Chegou mesmo a recusar alguns bons contratos que lhe dariam paz e tranquilidade económica mas, ele sempre os recusava.
Nunca se quiz profissionalizar nem nunca o vi zangado com ninguém.
Às vezes queixava-se mas, era quando tinha alguma “encomenda” que não lhe agradava muito pintar mas, dava-lhe jeito para o sustento da família.
Nunca foi rico nem apegado a coisas supérfulas mas, gostava de oferecer flores às senhoras.
Era rico de espírito, de vivências, de amizades, a todos tratava por tu desde a primeira hora. Adorava a noite e beber um copo com os amigos.
Sempre o conheci de pêra e bigode quichotescos que manteve toda a vida bem como um cabelo prateado e comprido.
Simpático e com boa figura, a todos agradava com o seu sorriso e o seu charme da mistura de sangue inglês da mãe e de francês do pai. Uma mistura que assentava muito bem no nosso querido Michael, com uma loucura saudável só digna de um génio como ele.
Tão vincada e forte foi a sua personalidade que ainda hoje, não nos habituamos à sua perda.
Às vezes dá-nos a sensação de que foi fazer uma viagem e que vem daqui a um bocado…
Ainda estamos à espera dele…
Não resisto em contar um pequeno episódio que se passou há largos anos numa fábrica da zona industrial de Ílhavo que o Dr. Mário Soares, na altura Presidente da República veio inaugurar, precisamente a 12 de Julho de 1986. Lembro-me dele ter chegado à fábrica de helicópetro.
Para a inauguração preparei uma exposição com cerca de 30 telas sobre o poeta Fernado Pessoa que se intitulava “Retratos polémicos do Fernando imagens do impossível”, com os títulos dos quadros, tais como: “Ventriloquo”, um menino ao colo de Pessoa; “Fernando, o definitivo encontro”, o mostrengo atacando o homem do leme; “Heterónimo secreto”; “O outro lado do Fernando”; “O meu outro eu”, Fernando Pessoa vestido de travesti e com ligas pretas; “Fernando ao espelho”, Fernando Pessoa de frente a um espelho com uma estola ao pescoço, entre outros quadros.
Obras que o Dr. Mário Soares apreciou com muita calma, uma a uma, comigo como cicerone, seguido pelo pintor, pelo Presidente da fábrica e por um larguíssimo leque de convidados.
Culto e conhecedor como é de artes plásticas, Mário Soares que tinha chegado à uma semana de Londres de uma visita ao atelier da pintora Paula Rego, perguntava por onde tinha andado tal pintor que não o conhecia, mas que tinha uma obra tão boa, tão interessante e com tanta qualidade?
Michael respondeu: tenho andado por aí a pintar. Agora estou aqui em Aveiro há uns meses a preparar esta exposição dos Pessoas.
Continuamos a visita com grande dignidade e muito interesse de ambas as partes.
Mário Soares chegou mesmo a interessar-se por uma obra, presisamente “O meu outro eu”. Fez uma boa referência a ela criticando-a positivamente pelo arrojo que o artista teve ao criar tal obra, mostrando-se interessado em ficar com ela.
Eu, nessa altura, dei uma cotovelada ao Barrett e disse-lhe: oferece-lha.
Imediatamente o Michael diz-me ao ouvido: ele que a compre que é muito rico!
E lá seguimos adiante, com este aperitivo da exposição, para o almoço que a fábrica ofereceu aos seus convidados onde estavam figuras públicas, camarárias, politicos, governantes, entidades oficiais, religiosas e civis, empregados fabris e muitos convidados.
Após um belíssimo almoço muito bem servido e muito bem regado, o Presidente da fábrica veio ter comigo para lever o pintor ao Dr. Mário Soares pois, este gostaria de conversar um bocado com ele. Lá fui eu, eufórico e nervoso, a correr desencantar o Michael que estava já a digerir o belo almoço com que se banqueteou.
Olha, o Mário Soares quer falar contigo!
O que é que ele quer? Se calhar quer comprar-me o quadro!
Mas, não era nada disso. Simplesmente Mário Soares como uma grande personalidade da cultura portuguesa, queria mais uma vez dar os parabéns ao pintor pela magnífica exposição que tinha visto.
Após alguns minutos de conversa, com Mário Soares sentado e Michael de pé, diz-lhe aquele:
Gostava muito de o convidar a visitar a minha colecção de arte!
Ao que Michael ingenuamente retorquio: Agora não posso estou em Aveiro sabes?
Pode ser um dia qualquer, quando tiveres tempo, diz-lhe Mário Soares.
É pá, olha, tambem não posso porque ando sempre teso e também não sei lá ir a tua casa!
Não faz mal, eu mando o meu motorista buscar-te.
Assim já pode ser. E tu, tens muitos quadros?
Nesta altura, Mário Soares levanta-se e intelegente como é, e vendo que estava diante de uma personagem muito especial, também o tratou por tu e disse-lhe:
Dá-me o teu telefone que depois eu ligo-te.
Mário Soares, rindo-se e bem disposto, deu-lhe o braço e lá foram os dois pela fábrica fora…de braços dados e a conversarem como dois velhos amigos! …
Michael Barrett foi um dos meus melhores amigos. E foi-o durante muitos anos, precisamnte três décadas. Há irmãos que não se dão tão bem!
Se tivemos zangas? Se nos chateamos muitas vezes? Tantas e tantas que até lhe perdi a conta. Mas, tudo voltava ao normal passado uns tempos. A verdadeira amizade prevalece com o perdão mútuo. Com o amor fraterno que nasce destas longas e sãs amizades!
Mas Michael não morreu …
Simplesmente arrumou a paleta e os pinceis.
Michael Barrett iniciou a sua longa viagem, a viagem da eternidade …"
Também diria eu que, a Arte não se mede pela quantidade nem pelas medidas, mas sim pela qualidade, sem criatividade não há Arte!
São mais de quatro dezenas de obras de arte expostas a partir de hoje na Galeria Nuno Sacramento arte contemporânea em Aveiro.
Como a inauguração é hoje pelas 22 horas estão todos convidados para esta vernissage.
Normalmente, as inaugurações são encontros culturais porque as pessoas que frequentam estes meios, são interessantes e acaba por ser um encontro de artistas, coleccionadores, jornalistas, críticos de arte e todo um público em geral, onde se interage todas as conversas possíveis e imaginárias.
Um convívio são e sobretudo habitado por gente jovem e menos jovem, porque também os artistas a expor são muito jovens.
Entre eles poderá ver obras de Alexandra Pinho, Bruno Balegas de Sousa, Capote, Carla, Faro Barros, Carlos Lança, Cristina Troufa, Diogo Ramos Moreira, Duarte Vitória, Duma, Elizabeth Leite, Frederico Martins, Gil Maia,
Com várias dezenas de obras mágicas expostas, onde se pode observar toda uma espécie de temas, dos mais variáveis possíveis, entre fotografia, escultura, pintura, desenho, acrílicos e óleos, onde todos ou quase todos, têm um denominador comum: o formato.
Denominador esse que, são as medidas das obras a expor isto é, todas elas têm as mesmas dimensões, ou seja, todas elas têm 80 X 80 centímetros.
Foi este o desafio lançado pelo jovem galerista Nuno Sacramento aos artistas da sua galeria com quem trabalha há já alguns anos e, a outros convidados para, sem qualquer obrigatoriedade de tema, pudessem participar.
As obras foram surgindo e todas elas encerram muita magia difícil de ver de uma só vez.
Há que ter tempo para aprecia-las.
De várias posições e de várias perspectivas.
De vários ângulos e de vários lados.
quanto mais observamos, mais vamos descobrindo coisas novas, novas mensagens, novas belezas, novos encantos, encerando muitas histórias e segredos, carregadas de personagens e simbolismos, criando efeitos ópticos no espectador e sentimentos que só ele pode ajuizar, gostar ou não gostar.
Estes jovens que agora se expõem, alguns desconhecidos do grande público, também como denominador comum a qualidade e o esmero que colocaram na produção artística, nas imagens que criaram e nos proporcionam, todo um sistema artístico de “arte por arte”.
É hoje fundamental estabelecer certos parâmetros do que é realmente a Arte!
Todos nós sabemos que o conceito que temos de tal palavra está cada vez mais a evoluir para tipologias tão diversas e para concepções tão distintas que, não há dúvida, temos que nos interrogar, mais vezes, onde é que isto vai parar?
Os velhos conceitos que temos já não são os mesmos do século XX. E o que nos trará o século XXI?
Também hoje pelas 22 horas será inaugurada na galeria má arte em Aveiro uma exposição do fotógrafo João Leal com trabalhos extraídos das séries “My own place” e “Endless”.
Baseado nas informações que recebemos desta exposição, transcrevemos o seguinte: “Em “My old place”, partindo do pressuposto que a fotografia pode ser vista como uma “máquina de medir o tempo”, as imagens servem de “leitmotifs” para a realização de buscas “fast forward” e “fast rewind” no “mecanismo” cerebral. No entanto, a medição do tempo baralha-se. As referências dadas são contraditórias. Em Roma a memória do passado impõe-se de uma forma majestática. O cariz cosmopolita da cidade convive harmoniosamente com o que, apesar de já não “existir”, teima em sobreviver. O presente de hoje não resistirá como este presente de há mais de dois milénios, pelo menos não neste estado físico, presencial, palpável. O nosso presente é mais volátil, por vezes parece existir não para ser apreciado mas para ser registado e visto mais tarde. É um involuntário (embora consciente) mecanismo de criação de falsas memórias. As “memórias” deste trabalho são de um tempo que ainda não chegou, sobre um presente de existência duvidosa com imagens de um passado persistente.
Na série “Endless”, e em jeito de homenagem ao filme “Profissão: Repórter”, de Michelangelo Antonioni (1975), tanto o dinamismo estático do fotográfico como a imobilidade activa da imagem sequenciada, enaltecem o perturbador movimento sem termo aparente. Nos sete minutos do plano sequência de Antonioni muito acontece, tanto dentro como fora de plano. O quase imperceptível movimento para a frente transporta quem está a ver para o núcleo de um ciclone que, pela instabilidade que vinha revelando, não augurava um desfecho agradável. Em “Endless”, a linha que percorre a imagem mantém-se perfeitamente nivelada. O suporte da imagem cria uma inesperada ilusão de declive. Ou seja, a instabilidade vem de fora, não está intrínseca como em “Profissão: Repórter”.
João Leal nasceu no Porto em 1977. Licenciou-se em 2005 no curso de Tecnologia da Comunicação Audiovisual do Instituto Politécnico do Porto, com especialização na área de Fotografia.”Para além de ter várias vezes exposto quer individual e colectivamente é também detentor do prémio Pedro Miguel Frade do Centro Português de Fotografia (no ano de 2005).
Também na galeria Kompass – Art Gallery em Aveiro será inaugurada hoje pelas 22 horas uma exposição colectiva com os artistas da galeria.
Com estas três exposições em simultâneo, mais uma vez a Rua do Gravito em Aveiro está em festa e à espera de todo o público que queira partilhar com estes artistas uma noite de cultura e animação.
José Sacramento
galeriasacramento@galeriasacramento.com.pt
Notícia Público
...
Internacional
Aveiro
Media Aveiro
Cidadania
Actualidade
Cidades
Clube dos Amigos e Inimigos da Dispersão
Cultura e Criatividade
Mobilidade