Quarta-feira, 02.05.12

Ponto 2 da ordem de trabalhos da Sessão Ordinária de Junho - 2.ª Reunião de 06-07-2011

Apresentação do projecto de intervenção para a Avenida Dr.º Lourenço Peixinho na Assembleia Municipal de Aveiro

(ACTA N.º 39 )

Vogal Paulo Anes (PPD/PSD) - Nos termos do n.º 2 do artigo 43.º do Regimento, requereu a sua transcrição em acta:026

“Gostava de partilhar algumas reflexões sobre o estudo aqui apresentado. Mesmo que divergentes sobre alguns aspectos, considerem-nas como contributo de sentido positivo nesta reflexão colectiva.

Não se trata de um juízo de valor sobre o trabalho até agora feito, porque o considero meritório na generalidade. Não é também uma apreciação técnica exaustiva, até porque não é este o palco e considero que os estudos apresentados ainda se encontram num estádio embrionário, por falta de clarificação de pormenor, e porque os conceitos ainda se encontram abertos, por isso, leva-nos também a uma crítica genérica.

Concordamos todos sobre a necessidade de se proceder à requalificação da Avenida Lourenço Peixinho.

No entanto, considero ser necessário procurar-se o verdadeiro equilíbrio entre o existente e as novas configurações de desenho urbano. A proposta deve ser ainda mais trabalhada e ponderada sobre vários espetos, garantindo-se um perfil e um desenho à escala humana, amigável, onde se garantam as circulações de pessoas e de veículos de forma harmoniosa e proporcional.

Não me parece que os sistemas viários preconizados nos estudos, especialmente nas articulações, nas ligações e desvios à malha viária imediata, parece-me sinuoso e poderá criar entropia mesmo ao nível da superestrutura de mobilidade.

Deve ser garantido o desejável equilíbrio, com circuitos viários, óbvios, e facilmente perceptíveis. Por outro lado parece ter-se preterido demasiado o papel do automóvel.

Toda na estrutura urbana nomeadamente de mobilidade vive umbilicalmente ligada ao grande eixo viário que é a avenida Lourenço Peixinho. Receio bem que qualquer proposta, qualquer estudo que desconsidere demasiado esta realidade e necessidade poderá bem vir a tornar-se uma verdadeira tormenta para os aveirenses.

Diz-me a experiência que, em urbanismo, quando as incisões e alterações são demasiado radicais e violentas ou não são exaustivamente amadurecidas e essencialmente testadas ou poderá causar danos irreversíveis. Digo irreversíveis, porque depois de executadas as obras que geralmente absorvem verbas avultadas dificilmente se podem reparar os danos sem que para tanto se volte a gastar muito dinheiro.

O Sr. Presidente da Câmara referiu e bem a natureza complexa subjacente ao trabalho em mãos. Sendo sempre importante relembrar o necessário investimento na prudência e na cautela.

Conheço vários casos Polis, cujas soluções passaram pela redução do espaço do automóvel. Os problemas e constrangimentos sentidos foram tantos e alguns tão graves que rapidamente tiveram de ser resolvidos, abandonado os estudos feitos de tráfego que lhe havia dado origem e optado antes pelo bom senso — bem se vê, houve a necessidade de devolver o espaço que indubitavelmente o carro tem na nossa vida.

Ouvi sempre com muita atenção o que os grandes mestres da arquitectura e do urbanismo sabiamente advogam. Uma lição que nunca esqueci vem do arquitecto Fernando Távora. Dizia ele por vezes: “quantos mais sinais de sentido proibido colocarem na cidade mais difícil é circular na cidade, mais voltas é preciso dar, mais gasolina temos de meter no carro, mais temos de nos consumir… deixem fluir os canais de circulação.”

Nos estudos urbanos em presença, é obsessivo o repúdio do automóvel!? Quando, de facto, todos precisamos e merecemos o automóvel. Não esqueçamos que quantas mais dificuldades criarmos à circulação do automóvel mais dificuldades estamos a criar a nós próprios, à cidade. Nós portugueses somos sempre exagerados, passamos facilmente do 80 para o 8 ou o inverso.

Criou-se a ideia generalizada de que o carro é um bicho. Como se esta tentativa de o diminuir no espaço urbano de Aveiro tivesse efeitos práticos favoráveis. Pelo contrário – no caso em apreço servirá apenas para inibir as pessoas de chegar à Avenida, logo cria ainda mais constrangimentos à vivência na Lourenço Peixinho.

Se pensarmos bem, Aveiro não tem problemas efectivos de trânsito. A mobilidade e o estacionamento no centro é relativamente fácil. Só quem nunca viveu no Porto, Lisboa ou outras cidades por esse mundo, é que não dá o verdadeiro valor da facilidade que os aveirenses têm de se deslocar do centro para a periferia e o contrario em 5 minutos apenas, mesmo em hora de ponta (se é que poderemos considerar haver horas de ponta em Aveiro).

Será porventura a EN 109 a artéria mais problemática, pela razão de má memória, que todos conhecemos - as portagens colocadas no perímetro urbano!?

A Lourenço Peixinho não pode deixar de ser um eixo franco de entrada e essencialmente de saída, atravessada pelas demais artérias transversais. Já que o mal está feito – o túnel, temos é de usufruir das mais-valias que trouxe. A avenida é por excelência a espinha dorsal de Aveiro e toda a malha urbana vive dessa irrigação quase que naturalmente. Negar ou desconsiderar demasiado esta evidência poderá ter efeitos bastante nefastos. É necessário apenas limar casos pontuais de conflito – alguns difíceis é certo.

Entendo, também, que é necessário reduzir a grande plataforma que hoje está afecta ao automóvel garantindo-se assim passeios com outra amplitude para circular e estar.



publicado por JCM às 13:27 | link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito


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