A ideia da campanha 'Tolerância Zero para a Falta de Pontualidade' foi destacada na Notícia Magazine do passado domingo. Para quem não leu a reportagem aqui fica o documento em pdf.
JCM
A ideia da campanha 'Tolerância Zero para a Falta de Pontualidade' foi destacada na Notícia Magazine de hoje. Um agradecimento à jornalista Catarina Pires pela amabilidade.
JCM
'A tempo e horas'
http://www.dn.pt/revistas/nm/interior.aspx?content_id=2990749


Recentemente uma aluna Erasmus a quem dei aulas confidenciou-me a sua dificuldade em trabalhar com os seus congéneres portugueses por causa da sua falta de pontualidade, isto é do difícil cumprimento de prazos e horários. Acrescentou que esse sentimento era partilhado por outros seus colegas estrangeiros.
Esta questão despertou-me preocupação para o assunto e deixou-me particularmente angustiado pensar que a próxima geração pode vir a reproduzir o mesmo tipo de comportamentos que a anterior, acentuando a noção de que esta atitude de desleixo com a pontualidade (entendida no sentido mais lato, de chegar a horas, de cumprir prazos, de gerir bem o tempo colectivo) é quase genética, impossível de mudar e que até tem alguns aspectos positivos (o conhecido 'desenrascanço').
Como investigador da área das ciências sociais, do planeamento do território e da participação cívica, identifico aqui padrões comportamentais que contribuem para a nossa deficiente gestão do tempo individual e colectivo e para o nosso déficit de pontualidade (uma quase ‘alergia’ à actividade de planeamento da vida colectiva).
Por feliz acaso, cruzei-me com um estudo muito interessante sobre a Pontualidade em Portugal coordenado por Clive Bennett. O estudo, cuja leitura recomendo vivamente, revela alguns dados preocupantes: 95% dos portugueses não são habitualmente pontuais; 2/3 das reuniões começam depois da hora; 50% das reuniões não têm agenda de trabalhos distribuída atempadamente; 50% das reuniões não cumpre os objectivos que era suposto atingirem; 60% das pessoas agendam mais tarefas do que aquelas que sabem conseguir efectivamente realizar. No entanto, a percepção da pontualidade muda consoante o prisma de observação. Apesar de só 5,4% das pessoas acharem que os Portugueses são pontuais (habitualmente ou sempre), 86,6% afirmam que elas próprias são pontuais‘ (AESE, 2006).
Os dados atrás referidos mostram, de forma clara, a dificuldade que temos em gerir e planear o tempo e em cumprir horários e prazos, o que se traduz em fortes penalizações na vida dos cidadãos, organizações, empresas e no país com consequências económica e sociais, nomeadamente na produtividade nacional. Esta dificuldade de gestão do tempo é comprovada por dados recentes da OCDE (2011) que mostram que o número de horas de trabalho por ano em Portugal é muito superior ao número de horas de trabalho anual, por exemplo da Alemanha (1.714 horas/ano contra 1.419 horas/ano). Acontece que 60 minutos laborais em Portugal resultam num retorno de 21 euros para a economia nacional, em termos de PIB, praticamente metade da produtividade alemã (37€). Os dados confirmam a necessidade de olhar para a qualidade do tempo de trabalho, mais do que para a quantidade.
Tendo como base o quadro atrás definido, pensei que seria interessante aproveitar a comemoração em 2013 do Ano Europeu dos Cidadãos para lançar uma campanha cívica designada ‘2013 - Tolerância Zero para a Falta de Pontualidade’ que pretende criar e estimular uma cultura de rigor na gestão do tempo individual e colectivo.
Acontece que se é fácil ter a ideia, é muito difícil levá-la à prática, e por isso julgo que será fundamental começar por lançar alguma reflexão sobre o assunto. Como pretendo que esta ideia ganhe corpo e conteúdo, que não se fique pela dimensão virtual, vou lançar o desafio a colegas, docentes e discentes para tentar encontrar a metodologia adequada para a desenvolver. Quem quiser colaborar envie-me um email para josecarlosmota@gmail.com explicando o seu interesse na matéria.
JCM
Internacional
Aveiro
Media Aveiro
Cidadania
Actualidade
Cidades
Clube dos Amigos e Inimigos da Dispersão
Cultura e Criatividade
Mobilidade